Como cuidar da saúde de forma segura? Entenda os riscos dos excessos

Como cuidar da saúde de forma segura? Entenda os riscos dos excessos

Cuidar da saúde costuma estar associado a uma série de escolhas: melhorar a alimentação, praticar atividade física, controlar o peso, fazer exames, buscar mais disposição e acompanhar possíveis alterações no organismo. Mas o corpo nem sempre apresenta sinais claros quando alguma coisa está mudando. Alguns sintomas são evidentes e fazem com que a pessoa procure ajuda rapidamente. Outros podem ser mais discretos e aparecer no dia a dia de formas que nem sempre conseguimos relacionar a uma causa específica. Ao mesmo tempo, estamos cada vez mais expostos a conteúdos que prometem melhorar a saúde, a aparência e o bem-estar. Medicamentos para emagrecer, suplementos, dietas restritivas, procedimentos estéticos, treinos intensos, os chamados “chips da beleza” e diferentes estratégias de longevidade e performance passaram a fazer parte das conversas e dos conteúdos que consumimos diariamente. Buscar mais saúde é positivo. A questão começa quando a vontade de alcançar determinado resultado faz com que decisões sobre o organismo sejam tomadas sem considerar as necessidades de cada pessoa. Saúde não é uma fórmula que funciona igual para todo mundo Uma dieta pode ser adequada para uma pessoa e inadequada para outra. O mesmo vale para suplementos, medicamentos, exercícios e procedimentos. Essa diferença pode ser esquecida quando uma experiência individual ganha grande alcance nas redes sociais. Alguém emagrece utilizando determinado medicamento, melhora a performance com um suplemento ou apresenta uma transformação estética depois de um procedimento. A partir daí, aquela prática pode passar a ser vista como uma solução que poderia ser reproduzida por qualquer pessoa. Mas o resultado que aparece não mostra todo o contexto. Histórico de saúde, alimentação, uso de medicamentos, características individuais, sintomas, exames e acompanhamento profissional podem fazer parte da decisão que levou aquela pessoa a determinado tratamento ou estratégia. Sem essas informações, copiar apenas a prática significa ignorar fatores que podem determinar se ela é adequada ou não. Por isso, antes de perguntar se algo funciona, também é importante entender para quem, em quais condições e com qual acompanhamento aquela prática é indicada. Medicamentos, atividade física, alimentação equilibrada, suplementação e procedimentos podem fazer parte de estratégias legítimas de cuidado. O ponto não é colocar essas práticas no mesmo lugar ou condená-las, mas entender que a indicação, a forma de uso e o acompanhamento fazem diferença. Os medicamentos para emagrecimento ajudam a ilustrar essa questão. Em fevereiro de 2026, a Anvisa publicou um alerta sobre o risco de pancreatite aguda associado ao uso indevido de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”. Entre 2020 e dezembro de 2025, a Agência registrou no Brasil 145 notificações de suspeitas de eventos adversos relacionadas a esses medicamentos, incluindo seis suspeitas de casos com desfecho de óbito. Ao mesmo tempo, a própria Anvisa reforça que os benefícios terapêuticos desses medicamentos superam os riscos quando utilizados conforme as indicações aprovadas e sob acompanhamento profissional. Anvisa: alerta sobre uso indevido de canetas emagrecedoras O exemplo mostra por que é importante diferenciar uma prática de seu uso indiscriminado. Um medicamento pode ser eficaz e ter indicação para determinadas condições sem que isso signifique que seu uso seja apropriado para qualquer pessoa ou finalidade. A mesma lógica vale para outras escolhas relacionadas à saúde. Uma rotina de exercícios pode contribuir para a prevenção de doenças e para a qualidade de vida, mas sua intensidade e frequência precisam considerar as características e as condições de cada pessoa. O ponto, portanto, não é estabelecer uma quantidade universal de cuidado, mas evitar que uma recomendação geral seja transformada em uma regra individual. Quando a tendência substitui a avaliação individual A velocidade com que informações circulam na internet facilita o acesso a conteúdos sobre saúde, mas também pode transformar experiências pessoais em recomendações generalizadas. Uma pessoa compartilha como emagreceu, outra mostra o suplemento que utiliza para treinar, alguém apresenta um procedimento estético ou uma nova dieta. Com a repetição desses conteúdos, determinadas práticas podem passar a parecer necessárias para alcançar um resultado específico. O problema aparece quando a popularidade de uma prática passa a ser confundida com sua indicação. Histórico de saúde, alimentação, uso de medicamentos, características individuais, sintomas, exames e acompanhamento profissional podem fazer parte da avaliação necessária para definir uma conduta. Essas informações não aparecem necessariamente em um vídeo ou publicação nas redes sociais. A automedicação é um exemplo dessa diferença entre informação e orientação. A Organização Mundial da Saúde destaca que práticas inseguras relacionadas ao uso de medicamentos podem causar danos evitáveis e que problemas podem ocorrer em diferentes etapas, como prescrição, dispensação, administração e monitoramento. Organização Mundial da Saúde: Medication Without Harm Por isso, conhecer uma prática não é o mesmo que saber se ela é adequada para você. E onde entram a prevenção e os exames? Se cada organismo tem características e necessidades próprias, decisões sobre saúde precisam partir de informações que também sejam individuais. É nesse contexto que entram a prevenção e o acompanhamento. Prevenir não significa procurar doenças em qualquer alteração ou realizar exames indiscriminadamente. Significa acompanhar a saúde de acordo com o histórico, os fatores de risco, os sintomas e as orientações dos profissionais que acompanham cada pessoa. Os exames laboratoriais podem fazer parte desse processo quando indicados. Seus resultados fornecem informações que, analisadas junto a outros elementos da avaliação, podem contribuir para investigar sintomas, acompanhar condições de saúde ou identificar alterações que mereçam atenção. Isso é especialmente relevante porque nem toda alteração no organismo produz um sintoma evidente. E, quando alguma mudança aparece, ter informações anteriores também pode ajudar o profissional de saúde a compreender melhor o que está acontecendo. Cuidar da saúde, portanto, não precisa significar acompanhar todas as novidades ou buscar uma solução para cada aspecto do corpo. Pode significar algo menos imediato, mas mais consistente: conhecer o próprio organismo, acompanhar sua saúde e tomar decisões baseadas em necessidades reais, e não apenas no que está em alta.

Últimas notícias